• Ricardo Sanfer

Coaching de saúde é tudo de bom, menos terapia

Atualizado: Fev 14

O coaching de saúde está expandindo suas fronteiras por todos os lados e, em atuações com resultados inéditos, se apresenta nas formas de Wellness Health Coaching, Holistic Health Coaching, ou simplesmente Health Coaching. Coaches especializados em alguma dessas áreas têm atribuições genéricas focadas em mudança de hábitos, porém nunca, em recomendações terapêuticas.

Muitos coachees, ou, clientes, têm questionado as atribuições de coaches de saúde, naturalmente preocupados com algumas mudanças nem tanto positivas que observam em si próprios ou em pessoas de seu círculo como cônjuges e amigos próximos.


São relatos sobre algum tipo de desnutrição e emagrecimentos exagerados depois de orientações dietéticas, os principais indicadores de que algo pode não estar certo e que o coach talvez não possua a formação no campo em que está se envolvendo.


Bem, por favor, entenda: os fundamentos do coaching são uma extraordinária revolução por sua capacidade de modificar comportamentos nocivos, desde aqueles que travam o desenvolvimento profissional, àqueles que impedem o cumprimento de objetivos de qualidade de vida, como o alicerçamento de rotinas produtivas, malhar pela manhã ou seguir a dieta passada pelo nutricionista.


A contribuição do Coaching para a Saúde


Muitos estudos sustentam o mérito do treinamento em saúde. Entre centenas deles, um sobre diabetes tipo 2 concluiu que, após seis meses, os indivíduos treinados mostraram melhora na adesão aos medicamentos. Outro, sobre doença cardíaca coronária, indicou que os pacientes em um programa de treinamento obtiveram uma mudança significativamente maior no colesterol total 14 mg/dl do que os pacientes não treinados, com uma redução considerável no LDL-C. E os mesmos indivíduos, ou coachees, mostraram ainda melhorias secundárias, como perda de peso, adoção de exercícios, controle sobre a ansiedade e melhor humor, segundo Margarite J. Vale, health coach e pesquisadora citada em mais de 900 artigos científicos, muitos deles assinados pela University of Melbourne.


Some à lista de eficiência do coaching, a mudança de comportamento e o domínio de clientes sobre vícios como o tabagismo, em estudos realizados por Paul E. Terry, Erin Seaverson, Michael Staufacker e Akiko Tanaka.


Como se vê, podemos considerar um coach de saúde como um suporte indispensável para a realização de objetivos que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas, especialmente daquelas menos disciplinadas. Mas prescrição de dieta, é uma atribuição exclusiva de nutricionistas. Coach de saúde não pode, definitivamente, assumir esse posto. E mesmo com formação em psicologia, enfermagem ou sendo educador físico, nenhum coach pode ir além de seu conhecimento técnico.


Coaches de saúde são parceiros, não concorrentes


Vale lembrar que, de acordo com a nutricionista e doutora em cardiologia Glaube Riegel, que também atua como conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 2ª Região (CRN-2), “o CRN-2 não é contra a ferramenta de coaching, no entanto, reserva esse tipo de oferta (de emagrecimento) para pessoas formadas em Nutrição”. Não há, de fato, concorrência nem hostilidade dos profissionais da saúde contra health coaches, mas uma preocupação com o uso incorreto de atribuições terapêuticas.


Fundamentos básicos do Coaching são eficazes e autossuficientes


E, amigo coach, há tanto tempo imersos no universo do coaching, compreendemos perfeitamente a sua ânsia por fazer mais pelo seu cliente, mas o risco de incorrer em um erro grave e comprometer a saúde de alguém faz seu empenho e paixão por ajudar não valer a pena. Lembre-se que somente as bases do que você estudou já podem fazer muito por seus clientes. Na verdade, em alguns casos, sem a sua contribuição, algumas pessoas jamais experimentarão qualquer mudança positiva em sua qualidade de vida.

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