• Jonathas Ferreira

Coaching na visão de palhaços

Por ser um dos assuntos mais populares dos últimos anos, o Coaching não poderia ficar de fora da lista de piadas em stand up comedy. Mas descubra quem está contribuindo para o roteiro.

São de fazer rasgar o certificado de coach até o mais empolgado aluno desses treinamentos de três dias, feitos em centros de convenção, as críticas em tom de deboche, dos palhaços modernos, ou artistas de stand up comedy, como preferem ser chamados.


Escolhi usar a palavra palhaço porque não gosto de fugir da realidade. Afinal, define-se por palhaço a “pessoa que usa maquiagem e trajes bizarros para divertir o público com pantomimas e piadas”.


A diferença entre os velhos palhaços é seu estilo de se vestir sem aqueles trajes alegóricos. Os sapatões e as calças largas deram lugar a uma boca grande com língua ferina, mais inteligentes, bem verdade, mas continuam, a rigor de definição popular, sendo “atores cômicos”, “bufões de circo”, “pessoas pouco sérias que se comportam de modo ridículo e com pouca dignidade” – preste atenção nessas qualificações, pois poderemos aludi-las mais tarde.


O stand up comedy, já há algum tempo vem substituindo o espaço que antes era ocupado pela figura abobalhada de artistas que vendiam humor, em lugares que conhecíamos ainda na infância como circos.


E essa nova forma de fazer as pessoas rirem geralmente tem uma motivação crítica destrutiva, que se inspira em temas de grande interesse popular como política, mas também falam muito do nosso quotidiano, sempre com caráter maldoso e imoral, cheio de pessoalidade.


Porém, têm chamado a atenção vídeos na internet com o tema “Coaching”, abordado, é claro, como piada, em todos eles.


Num desses vídeos com aparência de talk show, o apresentador, ou piadista, que é ateu e sempre dá um jeito de ridicularizar as religiões, mostra para uma audiência já mal informada, o Coaching da pior maneira que sua habilidade ardilosa é capaz de explorar.


O referido vídeo é quase um curta metragem. Com quase 20 minutos de duração, nele você aprende tudo que um coach não deve ser, numa clara apresentação marcada de pessoalidade e apelo humorístico que explora as falhas cometidas por alguns profissionais com o intuito de rebaixar o Coaching.


Mas é óbvio que não dá para esperar um elogio de um artista sobre o assunto. Naturalmente nenhum tipo de assunto pode ser levado a sério nessa espécie de diversão subversiva. Ainda mais quando se percebe a conexão pessoal do mencionado artista à Escola de Frankfurt, que tem como ramo ideológico a crença de que o indivíduo deve confiar ao Estado a sua subsistência e nele centralizar o poder. O que sugere sujeição e impede a capacidade humana de independência, sugerindo subjetivamente a auto piedade, posturas fundamentalmente desencorajadas pelo Coaching.


Portanto o que se vê é uma interpretação tendenciosa da realidade com exploração de alguém que detesta a natureza das funções reais dos coaches. E assim, se aproveita das falhas de alguns para tirar a credibilidade de todos.


No entanto, pior é saber que parte do que se diz é realidade com provas em pessoas que representam a categoria, mas que estão desconectadas do bom senso.


Parte da crítica se deve a fatos como promessas ridículas de alteração de DNA, espiritualismos que mencionam chakras e merchandising descarado em novelas que custaram uma manifestação pública do Conselho de Psicologia pelo equivocado e irresponsável posicionamento de um coach famoso, sugestionando hipnose como alternativa à psicoterapia científica, o que repreendemos em nossos diversos materiais.


Apesar de todo o pré-conceito e despeito velados nas críticas ao Coaching, é evidente a participação culposa e dolosa de pessoas que se dizem coaches, mas agem de modo inapropriado. Inapropriado por contrariar a lógica e a ética.


Falta ciência em promessas de mudança de DNA e, lógica e ética, em palestras de 200 mil reais, em formações inclinadas às crenças rudimentares dos egípcios que, eventualmente, para não dizer sorte, se materializam por expectativas irracionais, como pelo “poder de chakras conseguir uma vaga de estacionamento”. Isso tem o seu valor na crença individual, mas não pode ser considerado Coaching.


O verdadeiro Coaching, tem entre outros, fundamentos na ciência da psicologia positiva, por muito tempo desprezada pela psicologia contemporânea, que preferiu ênfase pelo estudo das doenças mentais, ao invés de explorar meios de instigar a capacidade humana de romper percepções negativas sobre si e o mundo que nos rodeia.


Essa ciência tem como principais pesquisadores Martin Seligman e Christopher Peterson, os quais desenvolveram o Values in Action (VIA) – Classification of Strengths and Virtues Manual, um conjunto dos aspectos positivos que correlacionam características emocionais, cognitivas, relacionais e cívicas à felicidade.


Para encerrar, lembre-se que um palhaço também é definido como “pessoa que provoca riso ou que não pode ser levada a sério”, e isso vale para palestrantes motivacionais, que formam coaches em três dias, em centros de convenções, com emocionalismo, por preços absurdos.


Conheça agora a lista dos cursos que podem te ajudar a ganhar respeito como coach.

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