• Ricardo Sanfer

Como mentalidades vencedoras lidam com as críticas

Atualizado: Mar 6

Críticas são vistas por muitos como ameaças, quando, na verdade, são um condão que nos liga às fases de amadurecimento, se tivermos uma mentalidade preparada para usarmos as reprovações em nosso favor.

É evidente que o tipo de recepção à crítica distingue os grandes players da vida de pessoas comuns que só apreciam elogios.


Entre os grandes players conhecidos por todos nós, muitos holofotes destacam o presidente americano Donald Trump, por tudo que ele significa para o empreendedorismo e devido ao que muitos consideram, pela razão óbvia a seguir, uma amarga experiência no tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, em inglês), ainda quando Trump apenas considerava ser presidenciável. Na ocasião, o então presidente Barack Obama, ataca-o com críticas jocosas, com uma clara intenção de expor Trump à humilhação pública.


No entanto, até mesmo, se sinceros, não simpatizantes do personagem do relato acima, concordam que o momento mais constrangedor da vida dele o tornou ainda mais motivado para concorrer às eleições americanas. Sobre o ocorrido, a escritora Omarose Manigault, comentou: “Todos aqueles que alguma vez duvidaram do Donald, notarão a suprema vingança, do agora, homem mais poderoso do mundo”. Que volta por cima...


Porque é assim que a crítica é processada em mindsets vencedores. Mesmo as mais baixas, as mais desonestas, falaciosas ou inescrupulosas críticas podem ser convertidas em energia para propósitos firmes. Essa pode ser a melhor maneira de proteger o ego e responder àqueles que gozam com o constrangimento alheio, ao contrário daqueles que se inclinam a alimentar pensamentos de inferioridade.


Mentes fortes entendem que só podem receber críticas à altura de sua relevância, por causa do nível de incômodo que causam aos seus oponentes, ou concorrentes. Nesse sentido, críticas podem sugerir que você é forte o suficiente para suportá-las, que você é, por algum motivo, uma potencial ameaça ou simplesmente possui lentes diferentes e opiniões controversas.


Críticas ao coaching


Já escrevemos aqui sobre algumas críticas ao coaching feitas por humoristas em stand up comedy e por alas da sociedade com opiniões relevantes como o Conselho Federal de Psicologia. Algumas delas feitas com reconhecido polimento e respeito aos profissionais coaches, buscando apenas reforçar as linhas técnicas que separam a psicologia da atividade de coaching.


Outras, realizadas como parte do programa típico de comediantes, embora com ínfimas razões, como aquelas que se direcionam a coaches que têm dificuldade para explicar o que eles próprios fazem, mas algumas reconhecidamente irresponsáveis que ultrapassam os limites do bom senso, ao sugerir que os judeus do holocausto não tinham propósito e que, portanto, se deixaram, literalmente, abater pelos nazistas.


O fato é que, dada à expansão tão rápida da atividade coaching – veja os dados da Ivey Business Journal, críticas de toda natureza começarão a vir, tanto de pessoas que nada entendem a respeito, quanto de autoridades que realmente precisam ser ouvidas.


Críticas são todas iguais


Embora pareça haver a necessidade de classificar uma crítica como construtiva ou destrutiva, sendo essa última preferida por haters e trolls, toda opinião desfavorável, essência da crítica, tem alguma função normativa e é positiva no sentido de poder levar à reflexão, ao equilíbrio e ao aperfeiçoamento.


E ainda que alguns não estejam dispostos a sequer pensarem a respeito, se percebida adequadamente, a crítica pode aprimorar argumentos, corrigir atitudes, equilibrar debates, recriminar arbitrariedades, inibir abusos, melhorar pessoas e refinar modos. Por isso, a liberdade de expressão, a oposição política, a verdade inconveniente e a possibilidade de denúncia têm valor para pessoas com bom senso.


Historicamente, oposição à crítica é uma característica política comum em governos totalitários e em mentes religiosas com tendências fanáticas. Mas na sociedade comum, pessoas sensíveis a críticas até mesmo de familiares, demonstram uma fragilidade emocional muito séria, e conforme estudos liderados pela psicóloga Sara R. Masland, da Universidade de Harvard, “A alta sensibilidade a críticas pode ser causada, em parte, por vieses cognitivos em relação à interpretação negativa de informações ambíguas”.


Tal constatação é grave, pois níveis altos de sensibilidade a opiniões contrárias pode, de acordo com o referido estudo, conduzir pessoas a recaídas piores ao lidar com doenças como depressão, abuso de substâncias, TOC, agorafobia, transtorno bipolar e esquizofrenia.


Mas não apenas agravamento, doenças mentais como a depressão podem ter seu princípio na timidez, na constante preocupação de fazer algo muito embaraçoso, com o que pode causar contrariedade ou desaprovação dos outros.


Sobre essa constante preocupação, ao menos nos Estados Unidos, o coaching tem sido aplicado já há algum tempo e contribuído para reversão dessa condição que normalmente se estende às outras áreas da vida. Especificamente o Life Coaching demonstra ferramentas capazes de melhorar a autoestima e fazer superar pensamentos negativos e tímidos.


Duas maneiras de não responder às críticas


Um olhar atento sobre as recentes mudanças do comportamento humano, revela duas naturezas de reações negativas a críticas: as inflamadas e as ressentidas. As inflamadas são agressivas e fazem as pessoas perderem o controle da situação, enquanto pessoas que se ressentem costumam internalizar a crítica e a dar ciclo a todo tipo de pensamentos negativos ou autodepreciativos. Mas, ainda, há a possibilidade de um mesmo indivíduo ter ambas reações.


Qualquer uma delas é prejudicial ao amadurecimento psicológico e consequentemente um impeditivo de desenvolvimento em outras áreas da vida. Mas um indivíduo que recebe uma crítica, por mais dura que pareça, se escolher manter-se emocionalmente controlado e consciente das atitudes que precisa ter, experimentará superações com argumentos e atitudes melhoradas.

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