• Ricardo Sanfer

Estimado Coach, você precisa elogiar mais

O elogio é um importante recurso do condicionamento operante, de Skinner. Sua aplicação em sessões de coaching facilita a instalação de novos comportamentos no coach e soma-se ao aperfeiçoamento pessoal e profissional do coach.

Os teóricos do behaviorismo definem o aprendizado como nada mais do que a aquisição de um novo comportamento com base nas condições ambientais, deixando a sugestão de que vícios emocionais e hábitos bons ou não, são constituídos em grande parte pelo ambiente e seus estímulos, que podem ser construtivos ou destrutivos.


As pessoas com as quais convivemos e o que recebemos delas é crucial para nosso próprio desenvolvimento. Como uma das consequências mais graves da influência dos outros, por críticas ou relacionamentos frios, ou ordens de alguém que ocupa uma posição superior, comportamentos compelidos reduzem a chance de sucesso na vida e no trabalho da pessoa à medida que reagem, em vez de se moverem propositadamente e por escolha consciente e estímulos de apreço.


Muitos que buscam as soluções do coaching pelo potencial modificador de diversos hábitos nocivos que desenvolvem ao longo da vida, experimentam um melhoramento mais lento quando não recebem estímulos na forma de elogios.


Isso é o que o psicólogo Burrhus Frederic Skinner nomeou como operantes reforçadores, ou respostas a comportamentos positivos que retroalimentam boas atitudes e criam bons hábitos.


Na prática, isso pode ser visualizado numa mentoria de coaching, na qual o coach, ao invés de apenas dizer o que o coachee precisa fazer, ele também estimula seu cliente a pensar positivamente sobre si, através de elogios sinceros sobre qualquer progresso.


No esporte, o berço do tipo mais conhecido do coaching americano e que deu nome, literalmente, à atividade, jogadores têm um desempenho incrivelmente superior quando se compara a condições de relação fria, de apenas ordens ou instruções.


“Eles devem sentir que seus treinadores ou superiores têm total confiança em sua capacidade e devem sentir que suas fraquezas são pequenas e que seus pontos fortes são muito maiores”, orienta Rick Pitino, treinador de basquete da Universidade de Louisville. E ele acrescenta: “Você faz isso por reforço positivo, certificando-se de que ninguém pense negativamente sobre si mesmo.”


De fato, esse é um recurso em favor da autoestima extremamente relevante para a prática de coaching. A autoconsciência e autoestima são as qualidades enfocadas pelos principais coaches esportivos e eles cada vez mais são requisitados por grandes estrelas. O caso mais emblemático de coaching esportivo está na carreira do fenômeno Cristiano Ronaldo, e muitos atribuem suas qualidades ao apoio recebido de sua coach particular.


Muitos profissionais concordam que um elogio estendido a alguém é um investimento nele e em sua personalidade, pois alimenta uma maior expressão do seu potencial e gera esperança e autoconfiança.


Mas, se por um lado o elogio faz tão bem ao receptor, quem decide tirar o foco de si, para centrar os outros, pode experimentar um enriquecimento extraordinário em seus relacionamentos pessoais e profissionais, motivando ações de utilidade, cooperação e fortalecendo a confiança mútua, além de inspirar você a explorar outras perspectivas ao buscar motivos para elogiar alguém.


Para começar a identificar e adotar o hábito de dispensar elogios, comece ajustando seu foco de crítico, negativo, excêntrico para mais empático, positivo e resiliente, pois talvez você vai precisar se esforçar, às vezes, para encontrar uma qualidade no seu receptor. E lembre-se da prática de autocoaching. Elogie-se mais.

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